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Mari Nogueira

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Águas Rasas (The Shallows, 2016)

26/08/2016 10:55

"Águas Rasas" (The Shallows, EUA, 2016), em cartaz nos cinemas, pode ganhar destaque como uma produção independente, modesta com o seu orçamento de US$ 17 milhões e que obteve uma arrecadação doméstica de US$ 54,2 milhões, suficiente para cobrir o seu custo de produção e obter lucro com a arrecadação internacional, já estimado em quase US$ 20 milhões.

"Águas Rasas" é uma surpresa com a sua história modesta, extremamente concisa (tem apenas 84 minutos) e que manipula com eficiência o suspense estabelecido no drama da surfista Nancy (Blake Lively), isolada em um banco de areia e posteriormente numa boia náutica e ameaçada por um gigantesco tubarão branco, o qual demarca a área como sua. Reside nas estratégias de ambos, de pegar a presa e de fugir dela, o cerne do filme.

 

Outros aspectos se ressaltam, como a dimensão de espaço, estabelecido no “tão longe tão perto”, a distância entre Nancy e a praia, impossível de ser percorrida por ela, mas ideal para o tubarão; e a solidão da personagem, isolada, mas estimulada pela companhia de um pássaro que simboliza a esperança.

 

Outras qualidades estão na consistência dramática de um tipo de filme que tem apenas uma solitária personagem em cena. Curiosamente, esse tipo de cinema vem sendo explorado em enredos criativos sob os mais diversos gêneros. Como referência, podemos estabelecê-lo a partir de Tom Hanks perdido numa ilha deserta em "Náufrago" (Castaway, 2000), de Robert Zemeckis, passando por "127 Horas" (127 Hours, 2010), de Danny Boyle, com James Franco; "Contagem Regressiva" (Hours, 2013), de Eric Hesserer. com Paul Walker; e o maior de todos, "Gravidade" (Gravity, 2013), de Alfonso Cuaron, com Sandra Bullcok. Em "Águas Rasas", Blake Lively está solitária em cena em cerca de 85% do filme.

 

A narrativa tem outros quatro personagens secundários (um deles visto via celular), mas fundamentais para encaixar os elementos e informações que constroem o enredo e que aos poucos saem de cena para dar lugar a um ápice dramático (o ataque do tubarão aos surfistas), a partir do qual o suspense desenvolve-se em crescendo, expressando a ferocidade do esqualo, que também parece ser dotado de alguma inteligência mas na verdade é puro instinto, e as táticas racionais de Nancy para superá-lo. Neste aspecto, é insinuante a solidão da personagem e o suspense construído paralelamente à ameaçadora figura do tubarão branco – o célebre embate da natureza humana e sua racionalidade frente ao instinto animal.

 

Blake Lively, conhecida a partir da telessérie "Gossip Girl" (2007-2012) tem uma atuação elogiável no papel da inteligente Nancy, a qual é desenvolvida com dramas familiares (a perda da mãe), rasos, mas que dão sentido ao seu isolamento em uma praia deserta. Informe-se que Blake teve uma “dublê de corpo”, a australiana Sarah Friend, estudante universitária estadunidense de 22 anos; e é casada com o ator Ryan Reynolds, de "Deadpool" (2016).

 

"Águas Rasas" é outro filme a investir em uma mulher como principal personagem. A Nancy de Blake Lively é insinuante, inteligente, ousada. É com esses ingredientes e dispositivos que a personagem utiliza para vencer a natureza hostil – simbolizando a beleza e a determinação da mulher. Vale a pena conferir.

 

Publicado pelo autor no Cinema e Artes.

 

 

 

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